Não é preciso chorar para perceber que não te esqueço
Posso ter um nó na alma mas sobrevivo
Sempre sobrevivi não foi?
Sempre tiver que me refazer a cada caminho que traças-te
Sempre tive que me refazer, mesmo quando te afastas-te
Sempre tive que sobreviver às tuas revolteantes mudanças de rumo…
Já não sei quantas vezes trepei o penhasco
Para voltar a cair no precipício
Já não sei quantas vezes prometi , a mim mesmo,
que nunca mais provava o mesmo copo
mas continuo a ser tentado pela soturnidade…
Já nem sei dos meus olhos
Desde que pus o meu coração nas tuas mãos
Ele rola descontroladamente e é repisado pelos teus pés
Nem te dignaste a recolocá-lo na caixa de sapatos
Para eu poder voltar a fecha-lo…
Nem sei porque decide o sol continuar a brilhar
Se esta lua nova me assola e me abafa…
Ela e os novos ciclo que ela traz,
que me lembram que não te perdi apenas,
também eu e a minha alma e o meu coração
e todos os pedaços em que os partiste ao longo desta tortuosa viagem
se perderam irremediavelmente…
Desta vez os cacos vão mesmo continuar a forrar o chão.
Nas margens do rio de Pedra eu sentei e chorei. O frio do Inverno fez com que eu sentisse as lágrimas na minha face, e elas misturaram-se com as águas geladas que corriam diante de mim. Em algum lugar, este rio junta-se com outro, ate que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas estas aáuas se confundem com o mar. Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que o meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele